Entendendo o Alzheimer: Saiba mais sobre diagnóstico e tratamento da doença

Esquecer pode ser um ato comum em nossa vida, mas é também um sintoma que pode revelar problemas quando se trata de um esquecimento recorrente dos acontecimentos da sua história, da sua memória recente e das pessoas de seu convívio. Por isso, neste mês Mundial pelo Alzheimer, especialista do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh) esclarece sobre o diagnóstico e o tratamento da doença garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Setembro ainda tem como ápice da campanha a data 21, como Dia Mundial da Doença de Alzheimer e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer.
No HUB há um centro de atendimento especializado em demências e Alzheimer, onde os idosos são avaliados por uma equipe multiprofissional e acompanhados periodicamente. Há também terapias complementares, como grupo de coral e atendimento domiciliar para aqueles pacientes que não podem se deslocar até o Hospital.
Segundo o neurologista Einstein Camargo, do HUB-UnB, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o cérebro, resultando em perda de memória, alterações no comportamento e declínio das funções cognitivas. “É a forma mais comum de demência, que é um termo geral para a perda de habilidades mentais graves o suficiente para interferir nas atividades diárias. Apesar da demência de Alzheimer ser a mais comum (cerca de 60%), há outras causas importantes de demência, como a demência vascular (geralmente secundária a um acidente vascular cerebral – “derrame”), a demência por corpúsculo de Lewy e a demência Frontotemporal”.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito com base no relato dos sintomas de alteração de memória, como a repetição das perguntas e relatos, e a dificuldade em reconhecer locais e pessoas. Exames complementares de ressonância magnética, tomografia e de sangue são importantes para afastar ou ajudar a confirmar qual tipo de demência a pessoa possui, por exemplo, se é a demência vascular, a frontotemporal (que atinge a parte frontal e temporal do cérebro), ou se tem outro fator que leve a alterações cognitivas, como doenças da tireóide, do fígado e infecções (neurosífilis, AIDS). Com o diagnóstico precoce do Alzheimer, o tratamento pode auxiliar na estabilização da doença.
Mais qualidade de vida ao paciente com Alzheimer e a sua rede familiar
Existem medicamentos que podem controlar os sintomas da doença e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com Alzheimer, garantidos pelo SUS com a necessidade do laudo de solicitação de medicamentos especializados (LME).
No entanto, conforme explica o Dr Einstein Camargo, não é possível eliminar a doença. “O tratamento para demência de Alzheimer é baseado em intervenções não farmacológicas, como treino cognitivo, exercício físico, fonoterapia, terapia ocupacional dentre outros. As opções farmacológicas são disponíveis, mas têm resultados bastante limitados, reduzindo a velocidade da progressão da doença em menos da metade dos pacientes.
É possível prevenir o Alzheimer?
A Doença de Alzheimer ainda não possui uma forma de prevenção específica. “No entanto, estudos recentes apontam que quase 50% dos casos podem ser prevenidos (ou retardados) com as seguintes medidas: controlando ou evitando o diabetes, mantendo o peso em um nível saudável, obtendo o máximo de educação escolar possível a partir da infância, evitando traumatismo craniano (como pancadas na cabeça), mantendo-se cognitivamente ativo com leituras e aprendendo coisas novas, tratando a depressão ou o estresse, mantendo a pressão arterial sob controle a partir dos 40 anos, examinando os riscos de perda de audição ao longo da vida e adotando aparelho auditivo se necessário, praticando exercícios físicos, reduzindo a exposição à poluição do ar e ao fumo, evitando o abuso de álcool e tendo sono de boa qualidade”, ressalta o neurologista.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HUB-UnB) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
