Vinícius Júnior: a voz da resistência negra no futebol internacional

No mês de Novembro Negro, enquanto relembramos a luta por igualdade e justiça, as figuras de resistência se tornam ainda mais significativas. Sou Erika Verde, advogada e colunista no Portal Dokimasia, e hoje trago a história de Vinícius Júnior, um símbolo de luta e perseverança que vai muito além do futebol. Este jovem brasileiro e jogador do Real Madrid vem transformando o esporte e levantando a bandeira antirracista em cada partida, enfrentando o preconceito com resiliência e determinação.
A história de Vinícius é um espelho para muitos, especialmente neste mês em que refletimos sobre o impacto do racismo estrutural e a importância da resistência. Desde sua chegada ao futebol espanhol, Vini Jr. tem sido alvo de ataques racistas, mas sua postura tem sido uma lição de dignidade e força. Hoje, compartilho com vocês um pouco mais sobre o caminho de luta e conquistas deste jovem negro que, com coragem, vem marcando sua posição no futebol e no mundo.
No mês de novembro, quando comemoramos o Novembro Negro, a figura de Vinícius Júnior, camisa 7 do Real Madrid, ressoa ainda mais forte. Jovem, negro e brasileiro, ele se tornou uma referência de resistência e luta contra o racismo no futebol mundial, enfrentando desafios que vão muito além do campo. Desde que chegou à Espanha em 2018, Vini Jr. tem enfrentado o racismo de torcedores rivais, mas sua resposta tem sido clara: uma postura firme, uma voz que se recusa a ser silenciada e uma luta constante pela igualdade.
Os ataques racistas contra Vinícius não foram poucos, tampouco leves. Em episódios lamentáveis, como o boneco com a camisa do jogador suspenso em uma ponte em Madrid, a violência simbólica buscou intimidá-lo. Mas Vini Jr. manteve a cabeça erguida, e seu compromisso em combater o racismo produziu ações de grande impacto. Um exemplo foi a partida entre a Seleção Brasileira e a Guiné, onde todos os jogadores vestiram camisas pretas em apoio à luta antirracista – uma iniciativa histórica, motivada pelo atleta que pôde transformar sua dor em uma luta por justiça.
A resposta do governo brasileiro e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a esses atos de racismo reforçam a dimensão global da causa. Em maio de 2023, durante uma partida entre o Valencia e o Real Madrid, o Brasil se posicionou contra os ataques racistas feitos ao jogador. Essa pressão resultou na inédita reportada de três torcedores espanhóis à prisão, sentenciados por insultos racistas contra Vini Jr., um marco na luta antirracista no esporte. A decisão da justiça espanhola, sob o olhar atento de Vinícius e do mundo, revela o poder de sua voz e sua coragem.
Ainda assim, a luta de Vinícius Júnior não se limita ao reconhecimento de sua integridade. Na recente cerimônia da Bola de Ouro em outubro de 2024, em Paris, sua ausência foi sentida, levantando questionamentos sobre os critérios para a premiação. Vini Jr., tido como um dos favoritos após uma temporada impressionante no Real Madrid, foi ignorado em favor de Rodri, do Manchester City. Muitos acreditam que o desempenho de Vini Jr. nas partidas decisivas foi subestimado, abrindo espaço para o questionamento sobre o peso que questões raciais podem ter nas avaliações de atletas negros no futebol europeu.
Ao olharmos para a trajetória de Vinícius Júnior, vemos não apenas um jogador talentoso, mas um símbolo da resistência negra que carrega consigo as vozes de gerações de atletas que enfrentaram o racismo. A sua luta nos campos da Espanha é também uma luta de milhões de negros ao redor do mundo, que, como ele, se recusam a se calar. No mês de Novembro Negro, lembramos que sua batalha é de todos nós, e que, por meio de sua coragem, ele está pavimentando o caminho para um futuro de igualdade dentro e fora dos gramados.
Assim como Vinícius Júnior, todos nós podemos ser agentes de mudança. No esporte, no trabalho e em todos os espaços, cabe a cada um combater o racismo de forma ativa. Que o exemplo de resistência e coragem de Vini inspire você a se juntar a essa luta. Seja antirracista. Juntos, podemos construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde a dignidade e o respeito prevaleçam.